sexta-feira, 30 de setembro de 2011

OPERAÇÃO NATAL




          A matéria veiculada como “Operação Natal”, edição 1326 de 01/Março/1995 da revista ISTO É, confrontada com outra, do repórter Carlos Cavalcante – AQUI AGORA/SBT, levada ao ar, no dia 28 de Fevereiro de 1995, terça-feira de carnaval, demonstra de forma clara, a crueldade, nas diferenças de atendimento, segundo a classe social, senão vejamos:

Na “Operação Natal”, (assim como foi cavilosamente batizada) uma equipe de médicos, enfermeiras e até um almirante, se “esmeram” ao extremo, nos preparativos para o atendimento a um parto de rotina, entretanto, doseado por um clima de completo histerismo, por tratar-se da délivrance da filha do atual presidente Fernando Henrique Cardoso/FHC (nessa época).

Na reportagem do Sistema Brasileiro de Televisão/SBT, duas mulheres também grávidas, têm o acesso negado a uma maternidade pública de São Paulo, mesmo se sabendo que a primeira, segundo declarações de sua genitora, traz um feto morto, há mais de 24 horas em seu ventre, e, a outra, já em trabalho de parto, conforme atesta sua irmã, necessita de uma operação cesariana, tendo em vista as complicações da gestação presente.

Obviamente os familiares e acompanhantes dessas pacientes são pessoas leigas (à medicina, no caso), não tendo condições “técnicas” de atestar a situação presente, mas em virtude da caminhada, de hospital em hospital, na busca de providências dificultadas as suas pretensões mais simples, trazem consigo o “diagnóstico” do último atendimento, isto é: da última porta fechada para as mesmas.

Na “Operação Natal”, foi destinado à futura paciente, segundo a revista, nada menos que três apartamentos, inclusive uma suíte de 70 metros quadrados.

Na matéria do AQUI AGORA, a administração da maternidade, sob a alegação de inexistência de vagas, nega às pacientes, em estado crítico, um espaço nas enfermarias, ou indigência, que certamente não ultrapassa, uns insignificantes 2 metros quadrados, para cada uma.

Em ambos os casos, temos a participação de militares: na “Operação Natal”, de um “prestativo” almirante, o qual afirma não ser ginecologista mas figurar na linha de frente (chega de ser serviçal, POMBA!);

Enquanto na matéria do canal 10, um obscuro, humilde e discreto sargento da Polícia Militar, que atendendo a reclamos tão pungentes e no cumprimento de ordens superiores, forçadas pela opinião pública, tardiamente, promove a abertura do portão de entrada da maternidade e o internamento desses dois seres humanos, excluídos de forma miserável, por uma sociedade mesquinha, por uma elite rançosa e cheia de preconceitos, oportunista e predatória por excelência.

Divisão entre ricos e pobres sempre existiu, desde que o mundo é mundo, todavia os excessos chegam a causar náuseas, mormente na agressividade do confronto presente.

Qual a diferença entre essas brasileiras, mortais, grávidas e em vias de parir?
Aparentemente nenhuma; a não ser que a primeira é filha do presidente eleito pelo povo e, as duas outras, filhas anônimas desse povo que elegeu o presidente.

As duas matérias deixam patente: de um lado a facilidade dos poderosos, sempre cercados de pessoas bajuladoras, obsequiosas e disponíveis; do outro: o submundo de uma grande maioria, as dificuldades de um segmento que vive morrendo, nas inúmeras filas da vida, prostituíndo-se na busca de algum dinheiro, comendo e vivendo mal e parindo por cima de pias e nas portas de postos de saúde, pelo país afora.

A grande massa, salvo exceções, gosta de bater palmas, de aderir a fatos consumados e esperar pelo dia seguinte de fantásticos “contos do vigário, do operário aplicados nas suas esperanças através da vivacidade de praxe e do histrionismo de escribas e fariseus (políticos e administradores corruptos) de um momento insólito.

Mesmo em se tratando de um país, onde o povo iludido, troca a cidadania por um par de chinelos ou um quilo de arroz, onde a impunidade contamina os várias segmentos, semeando a descrença nas Instituições, o quadro presente, além do odor fétido, causa “choro e ranger de dentes”. AMÉM!

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